Educação Inclusiva e Pedagogia Diferenciada – Por Emílio Figueira

  

Nos últimos anos um novo conceito ganhou forças: a inclusão escolar e social. Antes, essas pessoas eram habilitadas ou reabilitadas para fazer todas as coisas que as demais por meio da integração social e passavam a conviver conosco em sociedade. Agora, na inclusão escolar e social, as iniciativas são nossas. Somos nós que estamos nos preparando, criando caminhos e permitindo que elas venham conviver conosco.

Por este motivo, cada vez mais vemos crianças e pessoas com deficiência em nossas escolas, nos espaços de lazeres e em todos os lugares da vida diária. Devemos estar preparados para essa convivência, aceitando as diferenças e a individualidade de cada pessoa, uma vez que o conceito de inclusão mantém este lema: Todas as pessoas têm o mesmo valor.

Em Educação Inclusiva, o professor, como mediador desse processo inclusivo, precisa conhecer de perto seus alunos, familiarizando-se com as estratégias cognitivas aplicadas por eles na resolução de situações-problema. Dessa forma, poderá ajudá-los, por meio de constantes questionamentos, a elaborar hipóteses que os aproximem cada vez mais da formalização das noções e conceitos trabalhados.

No fazer pedagógico precisa contar com a exploração de temas transversais e a integração entre as diversas disciplinas: ao exercício da cidadania, à aceitação das diferenças e ao desenvolvimento do sentimento de pertinência à nação brasileira.

Por conseguinte, os alunos poderão atuar de forma mais consciente e responsável, reconhecendo-se capazes de agir para transformar.

É a camada Pedagogia Diferenciada ou da Diversidade, pautada na reflexão da prática educativa com um “novo olhar”, sensível às diferenças, atento à dinâmica e às demandas de cada classe como um todo e aos limites e possibilidades de cada aluno, único, singular, porém ao mesmo tempo igual, semelhante em direitos, deveres, necessidades e em valor.

O desafio da inclusão exige uma mudança global na organização e funcionamento da escola, que necessita adaptar o seu projeto político-pedagógico, revendo paradigmas psicológicos, didáticos, socioculturais e administrativos, para assegurar a todos os seus alunos as melhores condições de desenvolvimento e aprendizagem, visando:

  • Favorecer o desenvolvimento do aluno nas áreas socioafetiva, psicomotora e cognitiva, incentivando a construção de sua autoconfiança, criticidade, responsabilidade e autonomia;
  • Promover a formação do cidadão, oferecendo-lhe modelos positivos para a estruturação de valores morais e éticos, essenciais à vida em sociedade;
  • Promover o desenvolvimento da confiança do aluno em suas potencialidades e a consciência das suas limitações e das do outro, reconhecendo, na diversidade, uma oportunidade para ampliação dos seus conhecimentos e enriquecimento das relações interpessoais;
  • Estimular o potencial criativo do aluno, para que desenvolva e aprimore suas formas de expressão nas diferentes linguagens (corporal, plástica, cênica, musical, oral, escrita e lógico-matemática);
  • Favorecer a apropriação de conhecimentos socioculturais e científicos, para possibilitar ao aluno a ampliação da sua visão de mundo e uma atuação consciente frente à realidade;
  • Formar cidadãos que conheçam e valorizem as riquezas naturais e a diversidade do patrimônio sociocultural brasileiro, fundamentais na estruturação da identidade pessoal e nacional.


AVALIAÇÕES DE ALUNOS

Em Educação inclusiva, o aluno precisa passar pela modalidade de avaliação formativa (processual), caracterizada, principalmente, por ser:

  • Integral: abrangendo todas as áreas de desenvolvimento - socioafetiva, psicomotora e cognitiva.
  • Interativa: comprometendo nesse processo, além do professor, demais educadores e membros da escola, os próprios alunos e seus familiares.
  • Contínua: realizada em diferentes momentos e através de diversos procedimentos.
  • Acumulativa: os principais conteúdos (conceitos, fatos, procedimentos, valores e atitudes) trabalhados em cada etapa serão aprofundados e reavaliados nas etapas seguintes.
  • Diferenciada: definiremos metas de aprendizagem adaptadas e/ou instrumentos/intervenções diferenciados, para avaliarmos, de maneira justa, o desempenho dos alunos que, por fatores diversos, estejam com dificuldade de superar os desafios propostos ao seu grupo-classe.


ESTIMULAÇÃO PRECOCE

Eu digo que a estimulação precoce e todo o apoio de minha família desde bebê, fizeram toda diferença em minha vida. Diante das dificuldades, nunca deixo de pedir ajuda quando necessito.
Conheço muitas pessoas com deficiência que por orgulho, ou até mesmo para se auto afirmarem, não aceitam ajuda, chegando até mesmo serem ásperas. Mas eu não, nunca tive problema com isso. Às vezes nem estou realmente precisando de ajuda, mas a pessoa se oferece com tanto carinho e boa intensão de ajudar, que aceito num sorriso.

A criança com deficiência tem inúmeros ganhos ao ser incluída. Quando ela vê colegas sem deficiência fazendo algo, alguma tarefa ou brincadeira, ela os imitará, sendo estimulada em se superar em suas próprias limitações. As descobertas de suas possibilidades serão constantes. Estímulos que ela não teria se ficasse em uma instituição de crianças com deficiência semelhantes a sua. Eu vivi isso na pele quando fui transferido da AACD para um colégio público em 1981.

Incluir não tem segredo. Basta receber um aluno, seja ele quem for. Acolher com amor, ter a sensibilidade de perceber e pesquisar o que ele realmente precisa de apoio para se desenvolver em todos os sentidos. Um bom professor precisa ser um suporte seguro que lança seus alunos rumo às infinitas possibilidades.

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Emílio Figueira

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