Aula 38 – Dislexia



A dislexia é uma perturbação específica da aprendizagem de origem neurobiológica. Caracteriza-se por dificuldades no reconhecimento preciso e/ou fluente das palavras escritas, por dificuldades ortográficas e por dificuldades na descodificação. Estas dificuldades resultam frequentemente de um défice na componente fonológica da linguagem e são muitas vezes inesperadas relativamente a outras capacidades cognitivas e face ao fornecimento de instrução eficaz. Consequências secundárias podem incluir problemas na compreensão da leitura e experiência de leitura reduzida, o que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e do conhecimento geral.



Sinais de dislexia: manifestações mais frequentes



Escrita



Dificuldades ortográficas persistentes, mesmo com palavras simples. Dificuldades na gramática e na construção de frases. Pontuação ausente ou pobre.






A velocidade e sequências da escrita é afectada – os estudantes perdem com facilidade “a sequência lógica” do que estão a escrever/ler.



Leitura



Leitura lenta e pouca exacta, impossibilidade de fazer uma “leitura diagonal” e problemas em extrair as ideias fundamentais de um texto.



Números



Problemas com capacidades básicas ligadas à matemática e ciências como dificuldades em memorizar e relembrar sequências de números.



Leitura, Escrita Oralidade



Dificuldades em ler em voz alta, em pronunciar palavras pouco familiares. Dificuldade em estruturar uma apresentação oral.



Coordenação



A escrita pode ser lenta e pouco ordenada.



Organização



Deficiente organização e gestão do tempo.



Orientação Espacial



Em alguns casos pode verificar-se deficiente orientação espacial, por exemplo dificuldade em distinguir a esquerda da direita, leitura de mapas e seguir instruções de direcção.



Memória



Deficiente memória de curto prazo. Perda de objectos com facilidade por não se lembrar onde os deixou, esquecimento de nomes e números de telefones, etc. Pouca atenção.



Problemas Visuais



Em alguns casos pode apresentar dificuldade em ler um texto de uma determinada cor, ou quando tem um fundo de uma cor específica. Os estudantes disléxicos podem ver os textos de forma diferente, por exemplo, ver espaços onde não existe qualquer espaço, palavras que se movimentam, etc.



Boas práticas



Estratégias de ensino



As seguintes sugestões de boas práticas serão particularmente úteis para os estudantes com dislexia, mas podem ser úteis aos estudantes em geral. Para além destas sugestões achamos muito importante que o Professor obtenha mais informação sobre dislexia e contacte com os estudantes, no sentido de saber o que para eles é mais útil.



O estudante disléxico na Universidade:



É importante estar alerta para a eventualidade de ter um estudante disléxico entre os que frequentam as suas aulas. Assim deverá:



– estar consciente de que ele aprende de forma diferente da convencional;



– tentar obter informações acerca dos problemas com que o estudante disléxico se confrontou no secundário, especialmente no que diz respeito:



– à capacidade de auto-gestão



– ao seu sentido de organização



– à capacidade de tomar notas



– à gestão do tempo



– à gestão dos projetos e trabalhos a realizar



– ao ensino unidimensional;



– reconhecer a frustração que estudante disléxico deve sentir;



– reconhecer que as classificações podem ficar muito aquém do potencial do estudante;



– reconhecer problemas de autoestima e de depressão;



– demonstrar simpatia, atenção e preocupação;



– oferecer-se para ser o professor tutor ou nomear-lhe um;



– saber ouvir e aconselhar quando necessário e nas alturas previstas para tal;



– ajudar a organizar os trabalhos;



– planificar os trabalhos com datas bem determinadas (por exemplo, o primeiro trabalho sobre o primeiro capítulo na data x, o segundo na data y… e assim sucessivamente);



– indicar as leituras obrigatórias nas bibliografias de referência;



– assegurar que os direitos previstos na lei em benefício dos estudantes disléxicos são respeitados, nomeadamente em matérias de exames: intervalos, tempo suplementar, leituras, utilização de computadores portáteis, etc.;



– ajudar os estudantes a preencher formulários e a redigir pedidos relacionados com os seus direitos;



– insistir no reforço dos talentos naturais do estudante.



Nas aulas



Os estudantes com dislexia leem e escrevem mais lentamente do que os outros estudantes, assim é para eles muito difícil acompanhar as aulas tirando notas. Estes estudantes podem também encontrar dificuldades em ler acetatos/apresentações nas aulas, pois têm dificuldade em compreender o que leem e em copiar.



Fornecer um resumo quando se introduz um novo tópico, de forma a iniciar a familiarização do estudante com o assunto – salientar as ideias principais e palavras-chave;



– fornecer textos de apoio às aulas, de forma a diminuir a quantidade de notas que o estudante tem que tirar numa aula;



– usar múltiplas formas de apresentar a informação: vídeos, slides, demonstrações práticas, bem como ir falando ao longo da apresentação de textos;



– prever tempo para os estudantes lerem os textos de apoio às aulas, sobretudo se esses textos vão ser mencionados no decurso de uma aula;



– introduzir tópicos e conceitos novos de uma forma óbvia – explicar termos e conceitos novos;



– dar exemplos para ilustrar um ponto de vista, uma perspectiva, um assunto;



– fazer pausas regulares para permitir que os estudantes possam acompanhar;



– perguntar ao estudante disléxico se está a conseguir acompanhar o trabalho nas aulas;



– fornecer material escrito, formatando-o num estilo simples, claro e conciso;



– usar preferencialmente material impresso em detrimento de notas escritas à mão;



– evitar fundos com imagens ou figuras;



– uma fonte clara como o Arial ou o Comic Sans é mais fácil de ler do que fontes como o Times New Roman;



– não devem ser usadas demasiadas fontes diferentes num mesmo texto;



– não usar blocos densos de texto. É aconselhável o uso de parágrafos, diferentes tipos de cabeçalhos, símbolos gráficos a destacar partes de textos e numerar textos;



– destacar partes de textos ou palavras usando preferencialmente o negrito em detrimento do sublinhado ou itálico;



– imprimir em papel de cor pode ser mais fácil de ler para alguns estudantes com dislexia. Alguns estudantes com dislexia usam acetatos de cor que colocam por cima do texto para facilitar a leitura.



– são de evitar as tintas vermelha e verde, pois estas cores são particularmente difíceis de ler.



– usar formas alternativas de apresentar conteúdos como gráficos, diagramas, etc.



Avaliações



Em situação de avaliação as capacidades de escrita e ortografia do estudante disléxico podem piorar devido à pressão do tempo. Estes estudantes podem igualmente usar um tipo de linguagem mais básica, evitando palavras longas que lhes torna mais lento o processo de expressão escrita.



As perguntas devem ser expressas em linguagem clara e concisa;



– combinar com os estudantes disléxicos a data de entrega de trabalhos;



– permitir a este estudantes o uso de corretores ortográficos e/ ou outras formas de trabalho que os ajudem a detectar e corrigir os próprios erros;



Trabalhos práticos



Podem surgir dificuldades quando estes trabalhos exigem apresentações escritas com prazos muito curtos – trabalhos escritos à mão podem ter uma péssima apresentação, bem como conter muitos erros ortográficos.



Deve ser permitida a entrega destes trabalhos impressos, portanto escritos usando o computador;



Os estudantes disléxicos podem ter dificuldades em seguir instruções, de forma que estas devem ser claras e simples;



Estratégias de apoio à avaliação e classificação



Deve sempre dar feedback ao estudante sobre a avaliação que fez do trabalho apresentado por ele. Sempre que necessário deve conversar com ele sobre esse assunto.



Quando pontua um trabalho use marcadores diferentes para diferenciar o conteúdo da apresentação (ortografia e gramática, bem como organização das ideias).



Lidando  com  um  aluno  disléxico,  o  professor  deve  ter conhecimento  e  sensibilidade.  Algumas estratégias podem  usadas para facilitar o aprendizado do aluno disléxico:



uso  frequente  de  material  concreto:  relógio  digital,  calculadora, gravador, Material Curisineire e Material Dourado;



confecção  do  próprio  material  para  alfabetização,  como  desenhar, montar uma cartilha;



uso  de  gravuras,  fotografias(a  imagem  é  essencial  para  sua aprendizagem);



folhas quadriculadas para matemática;



máscara para leitura de texto;



letras com várias texturas;



fazer revisões frequentemente;



evitar  ou  dar  mais tempo  para  que  copie  do  quadro,  pois isso  é sempre um problema;



para ler palavras longas, ensinar a separá-las com uma linha a lápis;



não  forçar  a  modificar  sua  escrita,  pois ela  sempre  acha  sua  letra horrível  e  não  gosta  de  vê-la  no  papel.  A  modulação  da  caligrafia  é um processo longo;



dar  menos dever  de  casa  e  avaliar  a  necessidade  e  aproveitamento deste;



dar um tempo maior para realizar as avaliações escritas.  Uma tarefa



em  que  a  criança  não  disléxica  leva  20  minutos para  realizar,  a disléxica pode levar duas horas;



sempre que possível , a criança deve ser encorajada a repetir o que lhe  foi  dito  para  fazer,  isto  inclui  mensagens.  Sua  própria  voz é  de muita ajuda para melhorar a memória;



usar  sempre  uma  linguagem  clara  e  simples nas avaliações orais e principalmente nas escritas;



uma língua estrangeira é muito difícil para eles; fazer suas avaliações sempre em termos de trabalhos e pesquisas;



a criança disléxica deve sentar-se próxima à professora, de modo que a professora possa observá-la e encorajá-la a solicitar ajuda;



não  esperar  que  ela  use  corretamente  e  autonomamente  um dicionário  para  verificar  como  é  a  escrita  correta  da  palavra.  A habilidade de uso de dicionário deve ser cuidadosamente ensinada;



evitar  dar  várias regras de  escrita  numa  mesma  semana.  Por exemplo, os vários sons do “C” ou “G”. Dar lista de palavras com uma mesma regra para a criança aprender, sendo uma a cada semana;



O  professor  deve  ter  muita  sensibilidade  para  que  suas atitudes não  diminuam  a    auto  estima  do  aluno  disléxico,  já  tão  frágil.  Algumas atitudes e comportamentos podem ser feitos para isso:



evitar  dizer  que  ela  é  lenta,  preguiçosa  ou  compará-la  aos outros alunos da classe;



ela  não  deve  ser  forçada  a  ler  em  voz alta  em  classe  a  menos que demonstre desejo em fazê-lo;



suas habilidades devem ser julgadas mais em sua respostas orais do que nas escritas;



demonstrar paciência, compreensão e amizade durante todo o tempo;



não riscar de vermelho seus erros ou colocar lembretes tipo: estude!



precisa estudar mais! precisa melhorar;



procurar  não  dar  suas notas em  voz alta  para  toda  classe,  isso  a humilha e a faz infeliz;



não  considerar  as trocas na  escrita  como  erro  por  falta  de  cuidado, tirando pontos de seu trabalho;



procurar não reforçar sentimentos que minimizam sua auto-estima.



Nunca  é  tarde  demais para  ensinar  uma  criança  a  ler.  Toda criança  precisa  de  apoio  e  paciência    e  mais ainda  o  aluno  disléxico.  Ele precisa de mais compreensão  com  suas dificuldades   e  atenção individualizada  sempre,  por  mais difícil  que  seja.

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