Aula 8 – Uma Transição Palatina E O Papel Do Professor



Embora muitos tenham como discurso promover a Educação Inclusiva de forma radical, continuo pertencendo ao grupo que a defende como uma forma de transição entre a Educação Especial e a Educação Inclusiva. Essa forma palatina é apoiada por todos aqueles que acreditam na possibilidade de novas relações entre os seres humanos, por meio de processos que resgatem sua autoestima e melhorem sua capacidade de se comunicar, de conviver, de respeitar as diferenças individuais e culturais, de amar e de lutar pela cidadania plena.



Mais isso não significa que, aos poucos, seria a forma mais organizada de Inclusão. Um aluno com necessidades educacionais especiais – assim como qualquer outro – não pode esperar, pois à cada dia que se  passa, um atraso no desenvolvimento é concretizado. Acredito efetivamente no sucesso desse processo, penso que será o principal meio para uma inclusão verdadeira, trabalhando deste o nascimento as potencialidades dos alunos.



Educação Inclusiva não é somente colocar o aluno na escola; incluir significa dizer que devemos garantir o acesso de todos na escola participando, aprendendo e desenvolvendo suas potencialidades. E para que isso aconteça se faz necessário que a escola mude não apenas as barreiras estruturais, mas a postura, as atitudes e mentalidades dos educadores e da comunidade escolar em geral para aprender a lidar com a heterogeneidade e conviver com a diferença.






Atender o “diferente” ainda tem sido um dos maiores entraves do processo de educação inclusiva. O sistema de ensino deve dar respostas às necessidades educacionais de todos os alunos. Para que isso ocorra é necessário uma nova escola que aprenda a refletir criticamente,  pesquisar, inovar, questionar o que ai está posto e, em resposta á necessidade de inclusão, promovê-la e torna-se uma escola cidadã com novos paradigmas, novos preceitos, mudança nas propostas educacionais e investir, principalmente na formação continuada dos professores. É preciso tornar o espaço escolar adequado às diversas necessidades.



A Educação Inclusiva é um caminho árduo a ser percorrido. Para termos uma escola inclusiva é necessário que os professores, assim como todos os profissionais que trabalhem na escola, devem ACREDITAR na inclusão. E isto não é algo que aconteça de forma radical, ou seja, agora a escola vai ser inclusiva e todos os professores vão trabalhar de tal forma. Seria mais uma ditadura do que uma escola inclusiva. E para que isso ocorra, algumas coisas não podem ficar esperando os professores repensarem sua postura. Educação Inclusiva dá trabalho e, infelizmente, encontramos professores acomodados e resistentes à mudanças. Nesses casos podemos pensar em um pouco de radicalismo. Tudo é um processo… E, tratando de uma educação, trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade de alunos que se tem como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.



O PAPEL DO PROFESSOR



Se olharmos cada criança como um ser único, com suas diferenças, capacidades, habilidades e dificuldades, próprias de cada uma, se encararmos a Deficiência como mais uma dessas características, não precisaríamos da inclusão, pois todos estariam participando do processo. Mas isso depende de cada um e respeitar esse tempo também é saber trabalhar com as diferenças. O problema de aceitação e da adaptação das crianças com necessidades educacionais especiais ainda ocorrem com muita frequência; não basta simplesmente impor a inclusão, temos que realizar um trabalho de conscientização para que realmente possa haver a verdadeira inclusão. E o papel do professor é fundamental neste processo!



É preciso que estratégias sejam traçadas, passando pelo preparo de professores e alunos sem deficiência para receberem colegas com deficiência, desenvolvendo políticas de Inclusão Escolar com o seguinte planejamento:



conhecendo o perfil dos alunos a serem incluídos;



suas reais necessidades;



o desenvolvimento de estudos, gerando conhecimento acerca das práticas e procedimentos que melhor atenderão às suas peculiaridades, necessidades e possibilidades;



desenvolver projeto pedagógico consistente com todos os dados colhidos;



realizar um bom projeto pedagógico que valorize a cultura, a história e as experiências de todos.



Falar em Inclusão Escolar também se esbarra em questões culturais e/ou de comodismo. O conceito que um professor tem de um aluno com deficiência pode determinar o modo de relação e trabalhos entre ambos. O educando, antes de sua deficiência, alguém com necessidades educacionais especiais, precisará ser visto como uma pessoa que têm desejos, expectativas e dificuldades. Em uma avaliação de repertório funcional deve ser apoiada em três diretrizes básicas garantindo ao aluno:



independência pessoal,



independência social e



a sobrevivência.



E, para alcançar essas diretrizes, há alguns pontos fundamentais:



o professor deve acreditar que é capaz de promover o crescimento do aluno e da classe a que pertence, possibilitando que eles entendam suas dificuldades e organizem-se para resolvê-las;



deve-se estabelecer metas e cumpri-las, tendo em vista o objetivo geral que é o de tornar o aluno cada vez mais independente e possivelmente produtivo;



em um trabalho conjunto, deve-se envolver a família e o grupo de alunos para que comunguem juntos os mesmos objetivos e que entendam que a sua participação é importante no processo, tanto no sentido de implantá-lo como de mantê-lo, visando generalizar sua adequação para outras áreas de convivência do aluno;



esse aluno deve estar motivado para aprender, entendendo o seu papel ativo no processo, sendo ele alguém que chega à escola cheio de anseios, dúvidas e a estima algumas vezes prejudicada, inserido num contexto, tentando entender as relações presentes no mesmo;



o professor deve conscientizá-lo de que pode ajudá-lo, mas que o seu envolvimento com a aquisição de novos repertórios é fator importante para que o processo educacional tenha êxito.



Na contramão, a escola têm seus paradigmas em classificar “alunos regulares” e “alunos especiais”. Quebrar tais paradigmas, destruindo uma imagem e conceito de “aluno padrão”, nivelando todos por iguais sem rótulos já será uma mudança cultural, um grande passo para tornar uma Escola Inclusiva. Aliás, uma realmente escola para todos, sem substantivos que façam dela um exemplo a ser seguido.



A escola não é algo acabado, estático. Como todo segmento da sociedade, tem que estar em constante transformação, revendo suas ações pedagógicas, adaptando-se aos novos tempos para sempre somar e nunca excluir. Ser um espaço comum de cidadania, livre exercício político e espaço público de manifestações das diferenças, incorporando todos os valores sem promover hierarquias.



QUESTÕES CULTURAIS



A política de Inclusão Escolar esbarra em questões das nossas leis educacionais, embora essas mesmas tenham nos contextos aberturas para o chamado “ensino para todos”, independente da capacidade de cada aluno. Infelizmente, temos no Brasil uma Educação padronizada, um currículo escolar com diretrizes únicas para todas as regiões. Nossos métodos de avaliações procuram nivelar todos por iguais, exigindo o alcance de notas, não dando aos alunos a liberdade para aprender ao seu ritmo e de acordo com as suas condições, tenha ele uma deficiência ou não.



E, nivelando todo o alunado por igual, não levam em conta na hora da avaliação, o que alguns pontos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) determina:



a organização em turmas não precisa ser feita com base no rendimento, ao contrário, pode ser feita de acordo com critérios bastante amplos, inclusive idade, afinidade por projetos, etc.;



escrita, leitura e cálculo (04 operações) são objetivos a serem alcançados até o final do ensino fundamental, portanto, aluno nenhum poderia ser impedido de prosseguir porque ainda não aprendeu isso até as chamadas terceira ou quarta séries;



a avaliação é válida para conhecer o aluno e seus progressos, possibilitando a identificação do que ainda precisa ser mais bem trabalhado, e não para rotular crianças;



há total liberdade quanto à forma de avaliação, logo, ela pode ser feita com base em relatórios bimestrais, semestrais, etc., e não necessariamente com base em notas.

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