Mega Rádio VCA: “Emílio Figueira transforma experiência de vida em referência nacional pela inclusão e pelos direitos das pessoas com deficiência”


Uma linda entrevista que foi ao ar hoje e também publicada no Portal da Mega Rádio VCA @megaradiovca, 03 de junho de 2026, em apoio aos seus livros pela Wak Editora @wakeditora, “Intervenções Psicológicas Em Pessoas Com Deficiência”, “Psicologia e Inclusão” e “As Pessoas Com Deficiência Na História Do Brasil”, editados por Pedro Wak @pedro.wak e apoio na divulgação de Ana Lúcia Bonfim @analucia.bomfim, assessora de imprensa.

 

Durante décadas, pessoas com deficiência foram definidas por diagnósticos, limitações e estereótipos. Em muitos espaços da sociedade, prevaleceu a ideia de que a deficiência determinava o que uma pessoa poderia ou não realizar. Romper com essa visão é justamente a missão que move a trajetória do psicólogo, psicanalista, pesquisador e escritor Emílio Figueira, um dos principais nomes brasileiros na defesa da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência.

Em seu mais recente livro, "Intervenções Psicológicas em Pessoas com Deficiência – Sociais, Clínicas, Hospitalares, Inclusivas, Escolares, Trabalho e Esportivo", Figueira reúne mais de duas décadas de pesquisas e experiências profissionais para propor uma mudança profunda na forma como a Psicologia se relaciona com a deficiência. Mais do que uma obra acadêmica, o livro representa um convite à reflexão sobre dignidade, autonomia, respeito e protagonismo.

A autoridade do autor sobre o tema não se limita ao campo científico. Nascido com paralisia cerebral em decorrência de uma asfixia durante o parto, Emílio enfrentou, desde a infância, barreiras que ainda fazem parte da realidade de milhões de brasileiros com deficiência. Ao longo da vida, transformou desafios em combustível para construir uma trajetória marcada pela produção de conhecimento, pela superação de preconceitos e pela defesa permanente da inclusão.

Com mais de 120 livros publicados, três graduações, seis especializações e dois doutorados, o pesquisador tornou-se uma referência nacional nos estudos sobre deficiência, educação inclusiva e Psicologia. Sua história demonstra, na prática, aquilo que ele próprio defende: a deficiência não define uma pessoa nem limita seus sonhos, capacidades ou projetos de vida.

Um dos episódios marcantes relatados por Figueira ajuda a compreender a importância dessa discussão. Antes mesmo de iniciar sua formação acadêmica em Psicologia, ouviu de uma profissional da área que jamais poderia exercer o jornalismo por causa de sua deficiência. A previsão, no entanto, foi desmentida pela própria trajetória do autor, que construiu uma carreira reconhecida justamente nas áreas da comunicação, da pesquisa e da produção intelectual.

Para Emílio, esse tipo de postura reflete um modelo ultrapassado, ainda presente em parte da sociedade e até mesmo entre profissionais que deveriam atuar na promoção da autonomia humana. Segundo ele, o maior erro é enxergar primeiro a deficiência e apenas depois a pessoa.

No livro, o autor critica abordagens centradas exclusivamente no diagnóstico e na identificação de déficits. Em seu entendimento, a Psicologia contemporânea deve concentrar esforços na valorização das potencialidades, dos desejos e dos projetos de vida de cada indivíduo. O foco, afirma, precisa estar na remoção das barreiras sociais, culturais e atitudinais que impedem a participação plena das pessoas com deficiência.

Essa visão também se estende a diferentes ambientes da vida social. Seja na escola, no mercado de trabalho, no esporte, nos hospitais ou nos consultórios, Figueira defende que a inclusão verdadeira depende de mudanças de mentalidade. Não basta garantir presença física ou cumprir exigências legais. É preciso criar condições para que as pessoas com deficiência participem plenamente, exerçam sua autonomia e sejam reconhecidas como sujeitos de direitos.

Ao longo de mais de 40 anos de atuação na área da reabilitação e inclusão, o pesquisador acumulou experiências que reforçaram sua convicção de que os maiores obstáculos raramente estão na deficiência em si. Muitas vezes, eles surgem do preconceito, da superproteção, da infantilização e da tendência de subestimar capacidades.

Para ele, uma das formas mais graves de exclusão acontece quando a sociedade fala sobre as pessoas com deficiência sem lhes dar voz. Por isso, a obra também funciona como um manifesto em defesa do protagonismo. Em vez de serem vistas como objetos de assistência ou caridade, as pessoas com deficiência devem ser reconhecidas como cidadãos plenos, capazes de fazer escolhas, construir projetos e ocupar os espaços que lhes pertencem por direito.

A mensagem central do livro é simples, mas poderosa: toda pessoa com deficiência deve ser vista, antes de tudo, como pessoa. Uma afirmação que desafia preconceitos históricos e reforça a necessidade de construir uma sociedade baseada no respeito à diversidade humana.

Ao unir conhecimento científico, experiência profissional e vivência pessoal, Emílio Figueira oferece uma contribuição valiosa para o debate sobre inclusão no Brasil. Sua trajetória é também um exemplo de resistência e transformação, mostrando que a luta pelos direitos das pessoas com deficiência passa, necessariamente, pelo reconhecimento de sua dignidade, de sua autonomia e de seu potencial de realização.

Mais do que escrever sobre inclusão, Emílio Figueira construiu sua própria vida como uma prova concreta de que oportunidades, respeito e acessibilidade são capazes de derrubar barreiras que durante muito tempo pareciam intransponíveis.

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