O MENINO QUE QUERIA SER ESCRITOR – Por Emílio Figueira

#pracegover – Foto em preto e branco do Emílio Figueira aos nove anos, sentado em sua primeira mesinha de trabalho, datilografando em uma máquina de escrever portátil / Foto: Arquivo pessoal

Se isto fosse uma fábula, eu começaria assim: Era uma vez um menino que, aos cinco anos, já escrevia seus primeiros textos e dizia que seria um escritor. Foi crescendo, estudando e escrevendo cada vez mais. Publicando suas criações em jornais e revistas, lançando os primeiros livros, sempre lendo e fazendo muitos cursos para um dia ser um escritor.

Na vida adulta e na carreira acadêmicas, várias coisas foram tomando o seu tempo e atenção. Só que, entre tantas atividades e obrigações, ele sempre arrumava um tempo para praticar sua literatura, publicar seus textos como algo paralelo. Até que, ao completar cinquenta anos de idade, àquele menino tomou uma decisão: largar tudo e só ter um objetivo na vida, ser um escritor!

Certa vez, logo depois que o astronauta brasileiro Marcos Pontes voltou do espaço, foi à Bauru, sua cidade natal. Ao visitar o hospital da USP, o Centrinho, onde eu trabalhava como cientista, Pontes falou uma frase que me marcou: “Não precisamos abandonar nossos objetivos. Mas, às vezes, precisaremos adiá-los um pouco para realizarmos nos momentos certos!” 

E isso eu trouxe para minha vida, como qualquer pessoa pode aplicar em sua vida e carreira...

Aprendi ao longo dos anos que podemos chegar onde queremos já usando a imaginação para visualizar cenários futuros. Muitas pessoas têm SONHOS, aquilo que só existe dentro de nós. Mas poucas pessoas têm OBJETIVOS, o mesmo que alvo, o propósito de realizar algo. O objetivo fornece a direção do que se deseja fazer ou alcançar, servindo como META, levantarmo-nos de nossas acomodações e nos colocarmos em direção ao futuro!

Já com cinquenta anos de idade, alimento cada vez mais o objetivo de ser um romancista e um autor infantojuvenil. Eu acredito que o momento é este. Comparando minhas primeiras tentativas de escrever romances na juventude e o que escrevo agora é melhor pelo acúmulo de bagagens vivenciais, visões amadurecidas, o que me permite ter o que realmente contar.

O aprendizado nunca me pode faltar. Tenho estudado sobre as técnicas do romance contemporâneo, desenvolvendo as minhas próprias técnicas e linguagens. Isso acaba se somando a todos os cursos passados que, mesmo que seja de forma inconsciente, sempre estarão presentes no meu processo de criação, somando-se ao conhecimento que tenho de psicologia e psicanálise.

Há sonhos que nunca morrem. E vou continuar a alimentá-los mesmo conhecendo todos os meandros e dificuldades da minha profissão! Ainda alimento o sonho de ser contratado por uma grande editora e poder me dedicar só ao ato de escrever, sendo distribuído nacionalmente. Sonho em trabalhar em um grande jornal como cronista ou colunista. Não desisti de ser um roteirista de cinema e televisão, dramaturgo no teatro, embora sei que tenho que estudar mais se quiser desbravar meu caminho nos campos audiovisuais e cênico.

O importante é que aquele menino de cinco anos que queria ser escritor nunca deixou de sonhar!

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