Meu novo artigo publicado no Portal Incluir em 09 de janeiro de 2026 @portalincluir em apoio aos seus livros pela Wak Editora @wakeditora, “Psicologia e Inclusão” e “As Pessoas Com Deficiência Na História Do Brasil”, editados por Pedro Wak @pedro.wak e apoio na divulgação de Ana Lúcia Bonfim @analucia.bomfim, assessora de imprensa.
Quando se fala em acessibilidade, a imagem que costuma
surgir primeiro é a de uma rampa na entrada de um prédio. Essa associação não é
aleatória, pois durante muitos anos a luta por inclusão esteve concentrada na
remoção de barreiras arquitetônicas. Essas conquistas são fundamentais e
inegociáveis. No entanto, quando a acessibilidade se limita ao concreto, a
inclusão permanece incompleta.
É possível entrar em um espaço e ainda assim não pertencer a
ele.
A diferença entre acesso e participação
Garantir acesso físico significa permitir que a pessoa
chegue até determinado local. Garantir participação significa assegurar que ela
possa se comunicar, compreender o que acontece, tomar decisões e ser
considerada parte ativa daquele ambiente. Muitos espaços são acessíveis apenas
na aparência, mas continuam excludentes na prática.
Reuniões sem recursos de comunicação acessível, eventos sem
adaptação de conteúdo e serviços prestados de forma padronizada ignoram a
diversidade humana e reforçam a exclusão.
Barreiras comunicacionais que afastam
A comunicação é uma das principais dimensões da
acessibilidade. Informações transmitidas apenas de forma oral, textos
excessivamente técnicos, ausência de materiais em formatos acessíveis e falta
de preparo para atender pessoas com diferentes necessidades criam obstáculos
constantes.
Pessoas surdas, cegas, com deficiência intelectual ou
neurodivergentes frequentemente enfrentam ambientes que não consideram suas
formas de acesso à informação. A exclusão não ocorre por falta de capacidade,
mas por falta de adaptação.
Acessibilidade digital como direito
A vida contemporânea acontece, em grande parte, no ambiente
digital. Inscrições, serviços, trabalho, educação e cultura dependem de
plataformas online. Quando esses espaços não são acessíveis, a exclusão se
amplia.
Legendas, audiodescrição, descrição de imagens, navegação
simples e compatibilidade com leitores de tela são recursos essenciais. A
acessibilidade digital não é um luxo técnico, é uma condição básica para o
exercício da cidadania.
Barreiras atitudinais, o obstáculo mais persistente
Mesmo quando estruturas físicas e recursos comunicacionais
estão presentes, atitudes excludentes podem anular esses avanços. Falar pelo
outro, decidir sem consultar, duvidar da autonomia e tratar a pessoa com
deficiência como alguém sempre dependente são práticas comuns.
A acessibilidade atitudinal exige mudança de mentalidade.
Envolve reconhecer limites próprios, ouvir sem pressupor e aceitar que cada
pessoa conhece melhor suas necessidades do que qualquer manual.
Projetar para todos desde o início
Um dos princípios mais importantes da inclusão é o desenho
universal. Em vez de adaptar espaços depois de prontos, é preciso pensar desde
o início em soluções que atendam diferentes corpos, ritmos e formas de
interação.
Quando a acessibilidade é incorporada ao planejamento, ela
deixa de ser vista como custo extra ou exceção. Torna-se parte natural do
ambiente, beneficiando toda a coletividade.
Inclusão como compromisso contínuo
A acessibilidade não se encerra com a instalação de uma
rampa ou a compra de um equipamento. Ela exige avaliação constante, escuta
ativa e disposição para corrigir falhas. Ambientes inclusivos são aqueles que
se permitem aprender com a experiência das pessoas que os utilizam.
Mais do que cumprir normas, incluir é assumir um compromisso
ético com a dignidade, a autonomia e o pertencimento.
Ir além da rampa
Pensar inclusão além da rampa é reconhecer que a exclusão
nem sempre é visível. Ela se manifesta no silêncio, na falta de escuta e na
rigidez de práticas que ignoram a diversidade.
A verdadeira acessibilidade é aquela que permite não apenas
entrar, mas permanecer, participar e existir plenamente nos espaços sociais.

