Artigo publicado no Portal Incluir em 30 de janeiro de 2026 @portalincluir em apoio aos seus livros pela Wak Editora @wakeditora, “Psicologia e Inclusão” e “As Pessoas Com Deficiência Na História Do Brasil”, editados por Pedro Wak @pedro.wak e apoio na divulgação de Ana Lúcia Bonfim @analucia.bomfim, assessora de imprensa.
Quando se fala em inclusão de pessoas com deficiência, o
pensamento costuma ir direto para leis, normas técnicas e grandes obras de
acessibilidade. Esses avanços são fundamentais e precisam ser defendidos. No
entanto, eles não garantem, sozinhos, que a inclusão aconteça de forma plena. A
inclusão real começa nos encontros cotidianos, nas relações humanas e nas
escolhas aparentemente simples que fazemos todos os dias.
É no ambiente escolar, no local de trabalho, no transporte
público, nas interações familiares e nas relações sociais que a inclusão se
concretiza ou se perde.
Inclusão é convivência, não concessão
Ainda é comum que a inclusão seja vista como concessão ou
gentileza. Essa visão coloca a pessoa com deficiência em uma posição de
dependência, como alguém que precisa ser autorizado a participar. Incluir não é
permitir, é reconhecer. É compreender que a diversidade humana faz parte da
sociedade e que a convivência com as diferenças é um direito coletivo.
Quando uma pessoa com deficiência é tratada como exceção, o
ambiente continua excludente, mesmo que pareça adaptado.
Barreiras invisíveis no dia a dia
Nem toda barreira é visível. Muitas das dificuldades
enfrentadas por pessoas com deficiência estão ligadas a atitudes, expectativas
e comportamentos sociais. A pressa excessiva, a impaciência, a infantilização e
a tendência de decidir pelo outro criam obstáculos tão limitantes quanto
escadas sem rampas.
A acessibilidade atitudinal se manifesta quando há abertura
para ouvir, respeito pelo ritmo de cada pessoa e disposição para ajustar
práticas já naturalizadas. Perguntar antes de ajudar, aceitar respostas
diferentes do esperado e permitir autonomia são atitudes simples, mas
transformadoras.
O papel da linguagem na inclusão
A forma como falamos reflete a forma como pensamos. Termos
capacitistas e expressões corriqueiras carregam visões de mundo que associam
deficiência a incapacidade, sofrimento ou inferioridade. Mesmo quando não há
intenção de ofensa, o impacto permanece.
Adotar uma linguagem respeitosa não significa vigiar cada
palavra, mas estar disposto a aprender, rever hábitos e reconhecer erros. A
linguagem inclusiva contribui para a construção de ambientes mais seguros, onde
as pessoas não precisam se justificar o tempo todo.
Pequenas ações que ampliam o pertencimento
Muitas práticas inclusivas não exigem recursos financeiros,
apenas atenção e sensibilidade. Ajustar o tempo de uma atividade, adaptar a
comunicação, oferecer informações acessíveis, descrever conteúdos visuais,
evitar exposições desnecessárias e garantir participação efetiva são atitudes
que fortalecem o sentimento de pertencimento.
Quando a pessoa com deficiência percebe que suas
necessidades são consideradas sem constrangimento, a relação deixa de ser
marcada pela exclusão e passa a ser baseada no respeito.
Inclusão é processo contínuo
Não existe inclusão perfeita ou definitiva. Trata-se de um
processo em constante construção, que exige escuta, revisão de comportamentos e
disposição para mudar. Errar faz parte, desde que haja abertura para aprender e
corrigir.
Mais do que perguntar o que falta para a pessoa com
deficiência, é necessário refletir sobre o que ainda falta transformar nas
estruturas sociais e nas atitudes individuais.
Um compromisso coletivo
A inclusão não é responsabilidade exclusiva do Estado, da
escola ou das empresas. Ela depende da participação de todos. Cada gesto
cotidiano contribui para reforçar barreiras ou para derrubá-las.
Promover inclusão é assumir um compromisso ético com a
convivência, reconhecendo que uma sociedade verdadeiramente inclusiva não se
constrói apenas com obras e discursos, mas com relações humanas mais justas,
atentas e respeitosas.

