Aos jornalistas II



Publicado em 13/11/2002



A preocupação pela qualidade de imagem da pessoa portadora de deficiência é uma questão mundial, principalmente nos Estados Unidos e em países europeus. Durante o “II Seminário sobre Discapacidad e Informatión”, realizado pela Real Patronato de Prevención y Atención a Personas con Minusvalia, nos dias 16 e 17 de novembro de 1987, Madri-Espanha, foram elaborado, dentre outros documentos, dez propostas para que os meios de comunicação veiculem imagens normalizadas de pessoas portadoras de deficiência, publicadas em “Discapacidad y Medios de Informacion: Pautas de Estilo”. Essas recomendações começaram a correr o mundo sendo, amplamente divulgadas.



No Brasil, elas foram apresentadas pela primeira vez no início desta década, no “Mídia e Deficiência: Manual de Estilo”, lançado pelo Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro-CVI/RJ, mais tarde, em uma co-edição com a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência-CORDE. Passados alguns anos, vamos relembra-las aqui com base no documento original da Real Patronato e do CVI/RJ.










1 – MOSTRE O LADO POSITIVO DA DEFICIÊNCIA



Muitos nos dias de hoje, focalizam em primeiro lugar as limitações e dificuldades de um portador de deficiência. A própria população ao ver uma dela, inicialmente tem a associação de idéias daquilo que aquela pessoa não é capaz de fazer. Por isso, a proposta deste primeiro item, é para que focalizamos a informação de nossas produções jornalísticas ou publicitárias na capacidade da pessoa, conduzindo a entrevista nos êxitos e nas qualidades humanas, evitando enfoques desnecessários ou prolongados sobre aparelhos otorpéticos (cadeiras de rodas, muletas, bengalas…). Também podemos evitar mencionar a deficiência em uma reportagem informativa de origem normal, como por exemplo: “O diretor da escola municipal, João de Souza, 34, portador de deficiência física, anunciou ontem o início do ano letivo“. Essa citação não tem nada haver com história que estamos escrevendo, sendo que a frase poderá ser simplesmente assim: “O diretor da escola municipal, João de Souza, 34, anunciou ontem o início do ano letivo“.







2 – DÊ ATENÇÃO ÀS SOLUÇÕES



Uma vez que nós que atuamos no mundo das comunicações, sabemos melhor do que ninguém como é limitado o nosso espaço em jornais, rádios e televisão, tendo que disputar com outras matérias e profissionais. Então, nada mais justo que ocupar esse espaço com temas úteis e de interesse público, veiculando matérias de prevenção e tratamento de enfermidades que podem se converter em deficiência. Importante ainda, divulgar serviços disponíveis, recursos de tratamentos, lazer e participação no contexto social de interesse aos portadores de deficiência, seus familiares e amigos. Serão informações que poderão ser veiculadas, por exemplo, em campanhas de utilidade pública.







3 – PERMITA QUE AS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA FALEM POR SI MESMA



Esta aqui um erro cometido constantemente. Quantas vezes assistimos os jornalistas chegarem em entidades e instituições para produzir suas matérias e só entrevistaram diretores e especialistas, nem se quer olharam para o lado das pessoas portadoras de deficiência. Ou em entrevistas coletivas onde estão ambas as partes, as perguntas quase nunca seus dirigidas aos portadores de limitações. Assim este item recomenda que sempre que possível, permita as com deficiência, inclusive a mental, falem por sim mesma. Sempre que forem produzir matérias nesta área, consulte os portadores de deficiência e suas entidades representativas. (Para facilitar esse contado, no final deste trabalho, você encontrará uma série de endereços úteis).







4 – USE O TERMO “PESSOA PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA” ou “PESSOA COM DEFICIÊNCIA”



Os termos utilizados para representar ou descrever as pessoas portadoras de deficiência, são uma de nossas principais preocupações. A maneira como organizamos as palavras, podem gerar sentidos duplos sendo mensagens positivas ou negativas. Segundo o “Mídia e Deficiência: Manual de Estilo”, considerando que as pessoas não são circunstâncias, evitemos rotula-las com “os deficientes, os epilépticos, os poliomoelícos, dentre outros”, substituindo para “gente (pessoa) que tem deficiência (epilepsia, paralisia cerebral, seqüela de pólio, dentre outras”. Evitemos também, frases que possam rebaixar estas pessoas.



(Mas a questão da terminologia é bem mais ampla que possa parecer. Tanto que decidimos enfoca-la com mais profundidade nos próximos artigos)







5 – EVITE A IMAGEM DE GUETO



Geralmente, essas pessoas aparecem em abordagens específicas sobre deficiência; mas sempre que possível, apresente-as como parte integrante da população em geral, o que pode ser feito em situações de interação social com outras pessoas de sua idade e comunidade, cidadãos colaborando e produzindo. Podem ser focalizadas como figurantes e em papéis secundários, o que vale relembrar aquela dica anterior de evitar descrições desnecessárias, além de não centralizar a atenção em suas deficiências. Uma boa forma de apresentá-las em situações comuns, é mostrar empregadores e empregados portadores de deficiência, trabalhando também em cargos e/ou funções consideradas incomuns a essas pessoas. Muito importante evitar citas as diferenças entre as pessoas, o que poderá agrupa-las em guetos e atitudes segregacionistas, tais como “fulano é uma delas“; pelo contrário, podemos nos beneficiar e  enriquecer nossas produções com atitudes inclusivas, tais como “fulano é uma de nós“. O próprio documento do CVI/RJ recomenda: “Inclua estas pessoas na publicidade, já que o número delas está em torno de 15 milhões, sem contar seus familiares e amigos que comem, vestem, compram e consumem os produtos anunciados”



Continuaremos no próximo artigo…

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